Transtornos alimentares

18 de setembro de 2012
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jovem mulher se olhando no espelho com imagem distorcidaNossa cultura é obsecada pela aparência. As revistas femininas tipicamente colocam uma modelo muito magra na capa e quase que sempre falam sobre perda de peso e dietas para emagrecer. As revistas masculinas também não escapam à tradição. Normalmente exibem um modelo musculoso com barriga de tanquinho e falam sobre como ficar “sarado”.

Essa obcessão cultural pela aparência transmite uma forte mensagem aos adolescentes, que cada vez mais se mostram descontentes com a próprio corpo, mesmo que sejam bonitos e que estejam com o peso normal.

Essa discrepância entre a própria aparência (ou seja, a aparência normal da maioria das pessoas) e o modelo idealizado que a sociedade estampa em todos os lugares com o auxílio da poderosa mídia impressa e digital, possivelmente faz com que alguns transtornos alimentares sejam diagnosticados cada vez mais frequentemente nas últimas décadas. Dentre eles, podemos citar a anorexia nervosa e a bulimia nervosa, que afetam principalmente mulheres jovens, as quais são as maiores vítimas do bombardeio de imagens que impõem padrões artificiais de beleza.

Anorexia nervosa

A anorexia nervosa é um transtorno alimentar no qual a pessoa emagrece muito, às vezes até ficar quase “pele e osso”. Tem verdadeiro pavor de ganhar peso, de se tornar gorda e tem uma percepção distorcida da própria imagem corporal. As mulheres chegam até a parar de menstruar por causa da desnutrição grave. A anorexia nervosa atinge 0,9% das mulheres e 0,3% dos homens ao longo da vida.

Bulimia nervosa

A bulimia nervosa é um transtorno alimentar no qual a pessoa tem episódios de compulsão alimentar e um comportamento compensatório inadequado, chamado de comportamento purgativo (como provocar o vômito, por exemplo), para prevenir o ganho de peso, pelo menos duas vezes por semana por, no mínimo, três meses. A bulimia nervosa atinge cerca de 1,5% das mulheres e 0,5% dos homens ao longo da vida.

Além da anorexia e da bulimia, existem outros transtornos alimentares que têm sido diagnosticados com maior frequência nas últimas décadas. Como exemplo, podemos citar o transtorno da compulsão alimentar periódica e o transtorno alimentar noturno.

Transtorno da compulsão alimentar periódica

O transtorno da compulsão alimentar periódica, também conhecido por binge eating disorder, ocorre quando a pessoa tem episódios de compulsão alimentar pelo menos duas vezes por semana por pelo menos seis meses. Um episódio de compulsão alimentar ocorre quando a pessoa come, em um determinado período de tempo, uma quantidade de comida definitivamente maior do que a maioria das pessoas comeria naquele mesmo período de tempo e nas mesmas circunstâncias. Nesses episódios a pessoa perde o controle sobre o ato de comer e normalmente sente angústia ou repulsa por estar comendo tanto. O transtorno da compulsão alimentar periódica atinge cerca de 3,5% das mulheres e 2% dos homens.

Transtorno alimentar noturno

O transtorno alimentar noturno ou night eating syndrome é caracterizado pelo hábito de comer principalmente à noite, ter dificuldade para pegar no sono ou para manter o sono e não ter apetite no café da manhã. Esse transtorno ocorre em cerca de 1 a 2% da população, está relacionado com a bobesidade e também é mais frequente em mulheres jovens.

Referência: Adami, GF. Feeding Behavior and Body Mass Index. . In: Preedy VR et al., editor. Handbook of behavior, food and nutrition. New York: Springer, 2011. p. 891-910.

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Eduardo Bellotto

Sobre Eduardo Bellotto

Sou Médico Nefrologista formado na Universidade Federal de São Paulo e tenho muito interesse em estudar, entender e compartilhar conhecimento sobre os principais problemas que afetam as pessoas nos dias atuais, particularmente aqueles relacionados ao estilo de vida contemporâneo, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

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