Refeições em família

4 de novembro de 2012
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pai e filho tomando café da manhã juntosA importância das refeições em família está ligada à passagem de hábitos e valores entre gerações e ao reforço afetivo dos relacionamentos. À mesa, os pais servem de modelo para seus filhos, têm a oportunidade de ensinar lições de vida e de consolidar o sentimento de união.

Estudos mostras que o hábito de fazer refeições em família aumenta o sentimento de união, melhora os laços afetivos entre as pessoas e está relacionado com menor risco de transtornos alimentares entre adolescentes. Além disso, em diversos países as refeições em família são incluídas nas recomendações nutricionais dos guias das sociedades de Nutrição.

Uma recente revisão sistemática mostrou que as refeições em família estão relacionadas com dietas mais saudáveis, com maior consumo de frutas, verduras, grãos, laticínios, proteínas, vitaminas e minerais e com menor consumo de frituras e bebidas adoçadas com açúcar. Além disso, estão menos relacionadas com comportamentos não saudáveis, como comer pouco, fazer jejum prolongado, usar substitutos das refeições, pular refeições, ter compulsões alimentares, ter problemas psicológicos, como sintomas depressivos, e comportamentais, como abuso de álcool e drogas, atividade sexual precoce, violência e desempenho escolar ruim.

Entretanto, um fator que pode influenciar estes resultados é o fato de que pessoas com transtornos alimentares muitas vezes evitam comer em companhia de familiares e amigos, pois sentem-se constrangidas quando os outros reparam seus hábitos alimentares estranhos. Além disso, é comum que pessoas com sérios problemas de relacionamento familiar evitar as refeições conjuntas. Nestes casos, a baixa frequência das refeições familiares pode ser a consequência, e não a causa, dos maus hábitos alimentares, dos problemas psicológicos e comportamentais.

O local onde as refeições ocorrem também tem implicações na qualidade da alimentação. Um estudo mostrou que as refeições familiares fora de casa, lanchonetes e restaurantes, estão relacionadas com maior consumo de gordura, açúcar, sal e menor consumo de fibras e alimentos ricos em cálcio.

Outro estudo mostrou que estímulos que distraem as pessoas, como televisão, jogos eletrônicos, tablets e smartphones, reduzem ou eliminam a comunicação entre os familiares que estão comendo juntos, reduzindo os efeitos benéficos das refeições em família.

Quando o café da manhã, o almoço ou o jantar são feitos fora de casa, como em lanchonetes e restaurantes, as pessoas tendem a pedir comidas diferentes (em geral não compartilham da mesma comida) e tendem a escolher alimentos mais calóricas.

Alguns estudos estimam que de um terço a metade das crianças e adolescentes não fazem refeições familiares regularmente. Existem diversas razões para isso. Podemos citar a falta de tempo e incompatibilidade de horários em decorrência de estudo, trabalho e atividades esportivas, falta de tempo para preparar as refeições em casa, não saber cozinhar, ter preferência por comidas diferentes, facilidade e conveniência das comidas prontas, desejo de autonomia dos adolescentes e existência de problemas de relacionamento entre os familiares.

Sugestões para que os pais consigam aumentar a frequência de refeições em família:

  • Considere as refeições familiares uma prioridade
  • Estabeleça que pelo menos três a quatro refeições da semana serão em família
  • Comece com uma ou dias refeições por semana, se necessário, e aumente depois
  • As refeições podem ser tanto o café da manhã como o almoço e/ou o jantar
  • Procure formas criativas de estimular as refeições conjuntas
  • Evite conversas tensas, desagradáveis ou contenciosas à mesa
  • Planeje as refeições com antecedência
  • Compre os ingredientes antecipadamente e procure aqueles que agradam a todos
  • Envolva os membros da família no planejamento, preparo e posterior lavagem da louça
  • Deixe a televisão desligada durante as refeições

Referência: Woodruff, SJ and Hanning, RM. The Impact of Family Meals on Diet and Food Behaviors. In: Preedy VR et al., editor. Handbook of behavior, food and nutrition. New York: Springer, 2011. p. 957-969.

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Eduardo Bellotto

Sobre Eduardo Bellotto

Sou Médico Nefrologista formado na Universidade Federal de São Paulo e tenho muito interesse em estudar, entender e compartilhar conhecimento sobre os principais problemas que afetam as pessoas nos dias atuais, particularmente aqueles relacionados ao estilo de vida contemporâneo, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

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