Os cérebros masculino e feminino reagem de forma diferente aos alimentos

20 de junho de 2012
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Os cérebros masculino e feminino reagem de forma diferente aos alimentosSabe-se que a obesidade é mais frequente em mulheres do que nos homens, particularmente após a menopausa.

Em geral, as mulheres costumam preferir os alimentos doces mais que os homens. Além disso, estudos indicam que as mulheres comem mais doces na segunda fase do ciclo menstrual (que vai da ovulação até a próxima menstruação), o que mostra a relação da ingestão desses alimentos com os hormônios femininos.

Além do fator hormonal, o cérebro feminino responde de forma diferente aos alimentos do que o cérebro masculino.

Um estudo que usou um método chamado ressonância magnética funcional (que analisa o funcionamento do cérebro) verificou que o cérebro das mulheres tem uma maior ativação das regiões associadas à sensação de prazer ao comer chocolate, do que o dos homens. Isso indica que as mulheres são mais susceptíveis à tendência de comer mais do que precisam por causa do prazer de comer (valor hedônico dos alimentos) do que os homens.

Além disso, algumas pessoas conseguem se controlar mais quando estão comendo alimentos muito saborosos (muito palatáveis) enquanto outras não se controlam muito. Essa falta de controle é chamada de desinibição.

Um estudo analisou as respostas cerebrais a alimentos muito saborosos em duas situações. Na primeira, as pessoas somente observaram os alimentos. Na segunda, as pessoas foram orientadas a tentar suprimir o desejo pelos alimentos, um processo chamado de inibição cognitiva. Esse estudo que as mulheres conseguiram inibir menos que os homens o estímulo dos alimentos. Os resultados deste estudo são consistentes com estudos comportamentais que mostram maiores níveis de desinibição em mulheres do que em homens, bem como maior dificuldade de perder peso.

É provável que as interações entre gene e ambiente (onde indivíduos geneticamente susceptíveis respondem de forma diferente ao aumento da disponibilidade de alimentos muito palatáveis e ricos em energia e à redução da atividade física) contribuam para a alta prevalência de obesidade nas mulheres.

Referência: Wang, GJ et al. Gender Differences in Brain Activation by Food Stimulation. In: Preedy VR et al., editor. Handbook of behavior, food and nutrition. New York: Springer, 2011. p. 505-514.

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Eduardo Bellotto

Sobre Eduardo Bellotto

Sou Médico Nefrologista formado na Universidade Federal de São Paulo e tenho muito interesse em estudar, entender e compartilhar conhecimento sobre os principais problemas que afetam as pessoas nos dias atuais, particularmente aqueles relacionados ao estilo de vida contemporâneo, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

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