Óleo de peixe

31 de março de 2013
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Cápsulas gelatinosas de óleo de peixeSabe-se que o nosso organismo não consegue produzir todos os ácidos graxos que necessita e é por esse motivo que alguns ácidos graxos são considerados essenciais. Dentre eles, destacam-se dois: o ácido eicosapentaenóico (EPA) e o ácido docosa-hexaenoico (DHA), ambos classificados como ômega-3. Além disso, diversos estudos mostram que a deficiência desses ácidos graxos é comum em populações de países ocidentais. Por esse motivo, nos Estados Unidos, as diretrizes dietéticas de 2010 recomendam a ingestão de 1.750 mg de ômega-3 (EPA + DHA) por semana (ou 250 mg por dia) para a população em geral.

Esses ácidos graxos ômega-3 podem ser obtidos tanto por meio do consumo de peixes como por meio da suplementação de óleo de peixe. Dentre os peixes ricos em ômega-3, podemos citar salmão, atum, tainha, anchova, sardinha, truta, cavala, esturjão e arenque. Em 100 gramas da carne desses peixes existe cerca de 1 grama de ômega-3.

O óleo de peixe começou a ficar famoso quando pesquisas científicas começaram a mostrar potenciais benefícios para a saúde, decorrentes de sua suplementação. Atualmente diversas linhas de pesquisa sobre o uso da suplementação com óleo de peixe para diversos problemas de saúde, com diferentes graus de evidência.

Estudos em pessoas que têm triglicérides muito alto (um problema chamado hipertrigliceridemia e que está associado a maior risco de doenças cardiovasculares) mostram que o óleo de peixe é considerado efetivo para ajudar a reduzir os níveis de triglicérides do sangue. Entretanto, isso não dispensa a necessidade de a pessoa fazer atividades físicas, evitar excesso de calorias e gorduras na alimentação e fazer acompanhamento médico, por meio do qual é avaliada a necessidade de se usar medicamentos específicos para esse problema.

Para a doença das artérias coronárias (depósito de colesterol dentro das artérias do coração, também conhecida como aterosclerose das artérias coronárias), o óleo de peixe é considerado provavelmente efetivo para reduzir o risco de eventos relacionados a essas doenças, como o infarto agudo do miocárdio e a morte súbita por parada cardíaca (geralmente causada por uma arritmia ventricular fatal, chamada fibrilação ventricular).

Para diversas outras doenças, como pressão alta, artrite reumatoide, cólicas menstruais, osteoporose, aterosclerose (em outras artérias do corpo, além das coronárias), asma, depressão, doença de Alzheimer (um tipo de demência senil), doenças psiquiátricas, dentre outros problemas de saúde, existem evidências muito fracas ou insuficientes sobre a efetividade da suplementação com óleo de peixe. Para esses casos, futuros estudos poderão avaliar melhor seus efeitos.

Para os problemas nos quais há maior evidência da eficácia do uso do óleo de peixe (hipertrigliceridemia e doença das artérias coronárias), a dose usada nos diversos estudos variou bastante, ficando em geral entre 1 a 4 gramas de ômega-3 por dia.

A quantidade de EPA e DHA dos suplementos de óleo de peixe é bastante variável. Por esse motivo, é necessário ler o rótulo da embalagem para saber qual a quantidade desses ácidos graxos que existe nesses suplementos. Em geral, existe um pouco mais de EPA (cerca de 60%) no óleo de peixe do que DHA (cerca de 40%). Isso não é um problema. Pelo contrário, nosso corpo consegue transformar o EPA em DHA, de forma que o EPA é considerado por alguns o ácido graxo essencial mais importante de nossa alimentação. Além disso, é recomendável que o óleo de peixe seja suplementado com vitamina E (a não ser que a pessoa já tome vitamina E em outro suplemento), pois existem estudos que sugerem que o óleo de peixe possa diminuir os níveis de vitamina E do sangue. O motivo disso ainda não foi esclarecido. Para uma avaliação personalizada de suas necessidades dietéticas de ácidos graxos essenciais, consulte um Nutricionista.

Referências:

MedlinePlus [Internet]. Bethesda (MD): National Library of Medicine (US); [updated 2012 july 07]. Fish oil;

Eslick, G.D. et al. Benefits of fish oil supplementation in hyperlipidemia: a systematic review and meta-analysis. International journal of cardiology, 2009;136 (1):4-16.

Mozaffarian, D. et al. Effects on coronary heart disease of increasing polyunsaturated fat in place of saturated fat: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. PLoS medicine, 2010;7(3):e1000252.

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Eduardo Bellotto

Sobre Eduardo Bellotto

Sou Médico Nefrologista formado na Universidade Federal de São Paulo e tenho muito interesse em estudar, entender e compartilhar conhecimento sobre os principais problemas que afetam as pessoas nos dias atuais, particularmente aqueles relacionados ao estilo de vida contemporâneo, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

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