O que são prebióticos?

8 de junho de 2013
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Em decorrência dos achados sobre a importância da microbiota intestinal em nosso organismo, fazendo com que consideremos-na como um órgão ativo, muitos alimentos vêm sendo foco para modular a microbiota do cólon e o seu perfil metabólico para a promoção da saúde.
O conceito de prebiótico foi introduzido pela primeira vez em 1995. Desde então, várias definições sobre este termo foram discutidas. De modo geral, prebióticos são carboidratos não digeríveis (fibras alimentares) presentes em ingredientes alimentares, suplementos ou componentes que escapam a digestão no intestino delgado e conseguem alcançar o cólon na sua forma intacta para assim serem seletivamente fermentados por bactérias benéficas da microbiota intestinal.
Os efeitos dos prebióticos favorecem principalmente o crescimento de bifidobacterias e lactobacillos. Outros gêneros de bactérias possivelmente estimuladas estão sendo estudados, mais ainda necessitam de maiores evidências (ex. eubacterium, faecalibacterium e roseburia).
Os prebióticos mais conhecidos atualmente são os frutos-oligossacarídeo (FOS), a inulina e os galacto-oligossacarídeos (GOS). Outros carboidratos com possível efeito prebiótico têm sido testados e demonstraram resultados positivos em testes experimentais, mais ainda faltam pesquisas clínicas com a maioria destes compostos para que seu efeito seja confirmado.
A inulina que é muito utilizada em estudos encontra-se naturalmente presente em diversos alimentos, tais como: alho-poró, aspargos, chicória, alho, alcachofra, cebola, trigo, banana e aveias, e também na soja. No entanto, esses alimentos contêm apenas traços de inulina. Por esta razão, algumas indústrias têm tido como estratégia a remoção do composto ativo destes alimentos, para adicioná-los em produtos de consumo mais frequente, com o objetivo de atingir níveis efetivos destes compostos.

Como exemplo, podemos ver no comércio alimentício que há uma maior oferta de produtos, tais como cereais, biscoitos, alimentos infantis, iogurtes, pães, molhos, bebidas etc. adicionados/enriquecidos com compostos ativos como inulina e FOS, para que possam ser considerados prebióticos.

E será que isto funciona mesmo?
Os estudos demonstram que os prebióticos estão sim, envolvidos na redução do risco daquelas diversas situações clínicas (ver microbiota intestinal) relacionadas com o desequilíbrio da microbiota intestinal. No entanto, o consumo destes produtos deve ser acompanhado de demais hábitos alimentares saudáveis.

Importante desde o nascimento…você sabia?
O leite materno já é naturalmente presente de um mix de compostos prebióticos e, portanto, mais uma razão para priorizar-se sempre o aleitamento materno exclusivo até os seis meses. Apesar disso, as indústrias tem se mobilizado em adicionar prebióticos em fórmulas lácteas também.

E o que se tem além destes efeitos clássicos?
Estudos em adolescentes têm demonstrado que o prebiótico é capaz também de promover uma melhor absorção de cálcio no intestino, assim como melhor acréscimo de cálcio pelo osso para manutenção da densidade mineral óssea. Estes achados também estão sendo estudados em mulheres pós-menopausa. No entanto, ainda não se sabe se estes efeitos são relacionados diretamente com mudanças na microbiota intestinal ou outros fatores. Melhora na absorção de outros minerais também tem sido observada, mas necessitam de mais estudos.

Referências:
Latulippe, ME et al. ILSI Brazil International Workshop on Functional Foods: a narrative review of the scientific evidence in the area of carbohydrates, microbiome and health. Food & Nutrition Research. 2013. 57: 19214.
Roberfroid, M et al. Prebiotic concept and health. British Journal of Nutrition. 2010.

 

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Raíssa Antunes

Sobre Raíssa Antunes

Sou nutricionista formada na Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Especialista em nutrição aplicada às doenças renais pela UNIFESP e atualmente cursando mestrado na mesma área. Tenho interesse especialmente em assuntos que relacionam alimentação ao estilo de vida.

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