O que o tamanho do nosso cérebro tem a ver com nossa alimentação?

13 de junho de 2012
Por

Você já se perguntou quanto o cérebro humano é grande, em comparação ao dos outros animais? Será que isso influencia a nossa dieta?

Proporcionalmente ao tamanho do corpo, nosso cérebro é cerca de três vezes maior que o dos grandes macacos (símios), como o chipanzé e o gorila e cerca de nove vezes maior que de outros mamíferos em geral.

Além disso, o tecido nervoso cerebral gasta muita energia! Para se ter uma ideia, o cérebro de um adulto consome cerca de 20 a 25% de sua energia corporal durante o repouso. Nos símios, este gasto é de 8 a 10% e, nos outros mamíferos, de 3 a 5 %.

Por esse motivo, a evolução do nosso cérebro foi acompanhada de importantes mudanças no nosso padrão alimentar.

Quando comparamos a nossa dieta com a dos grandes macacos, observamos que a nossa possui uma quantidade maior de energia e é mais rica em gordura, principalmente pelo maior conteúdo de alimentos de origem animal que consumimos (carne, ovos, leite e derivados).

Existem algumas teorias sobre o desenvolvimento do cérebro humano. Eu simpatizo com a que afirma que nossos ancestrais sofreram grandes períodos de escassez alimentar, devido a alterações climáticas ocorridas há cerca de 4 milhões de anos. Acostumados às florestas, eles tiveram que se adaptar a ambientes mais abertos e, estando em desvantagem física em relação aos outros animais, foram forçados a desenvolver novas habilidades (como caçar e pescar), exigindo para isso o desenvolvimento do cérebro.

Outra importante habilidade adquirida nesse processo foi a de lidar com o fogo e o cozimento dos alimentos, de 200 a 250 mil anos atrás.

O preparo dos alimentos com o calor permite que o carboidrato de tubérculos (como a mandioca e a batata) possa ser digerido, pois quebra a parede de celulose das células vegetais (um processo chamado de gelatinização), liberando o amido.  O calor também deixa os alimentos mais macios, exigindo menos esforço para a mastigação. Isso sem falar que é muito mais saboroso comer uma batata bem assada…

As necessidades desse cérebro evoluído também trouxeram necessidades especiais. Tanto o desenvolvimento como o metabolismo de nosso cérebro depende de ácidos graxos essenciais (classificados como ômega-3 e ômega-6), presentes principalmente em alimentos de origem animal.

Ao passo que o tamanho do cérebro dos humanos aumentou progressivamente, o tamanho da mandíbula e do dente do siso diminuiu e a dieta tornou-se cada vez mais rica em alimentos de origem animal.

Da mesma forma que a evolução do cérebro trouxe mudanças na dieta, essas mudanças deram suporte ao desenvolvimento do cérebro, num ciclo virtuoso.

Entender nossas origens nos ajuda a entender a nós mesmos!

Referência: Leonard, WR et al. Diet and Brain Evolution: Nutritional Implications of Large Human Brain Size. In: Preedy VR et al., editor. Handbook of behavior, food and nutrition. New York: Springer, p. 3-15.

Share on FacebookShare on Twitter
Eduardo Bellotto

Sobre Eduardo Bellotto

Sou Médico Nefrologista formado na Universidade Federal de São Paulo e tenho muito interesse em estudar, entender e compartilhar conhecimento sobre os principais problemas que afetam as pessoas nos dias atuais, particularmente aqueles relacionados ao estilo de vida contemporâneo, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados com *

*