Microbiota intestinal: um órgão ativo!

18 de maio de 2013
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mulher com as mão no abdomeA colonização do intestino por microorganismos já se inicia desde o nascimento. A microbiota ou flora intestinal é composta por uma série de microorganismos (bactérias, fungos, vírus, protozoários). Entre estes germes, existem mais de 400 espécies de bactérias. Dentre elas, existem aquelas que são benéficas e outras que podem ser patogênicas.
Uma vez estabelecida, a microbiota intestinal pode ser alterada por diversos fatores, e se essas modificações forem crônicas, o efeito pode ser permanente.
Muitos são os fatores que influenciam a composição e a manutenção da nossa microbiota intestinal, entre eles: fatores genéticos, tipo de parto, tipo de aleitamento, presença de doenças ao longo da vida, uso de medicamentos (especialmente antibióticos), sistema imunológico, meio ambiente e hábitos alimentares. Assim, a alimentação é conhecida por ter efeitos muito importantes sobre o caráter da microbiota intestinal logo no início da vida, ou seja, desde a amamentação.
Hábitos alimentares excessivos em gorduras e pobres em fibras alimentares reduzem a quantidade de bactérias benéficas e aumentam as ditas bactérias patogênicas.
Alterações na microbiota intestinal vêm sendo fortemente associadas a diversas situações clínicas como resistência à ação da insulina (um estado pré-diabetes), diabetes do tipo 2, obesidade, esteatose hepática (gordura no fígado) e câncer de cólon.
Como isso ocorre? Um dos mecanismos propostos é de que o aumento das bactérias patogênicas, influencia a permeabilidade do intestino, ou seja, altera a barreira intestinal e facilita a liberação de endotoxinas (toxina que situa-se na parede celular de algumas bactérias) para a circulação sanguínea. Essas endotoxinas promovem a instalação de um processo inflamatório, gerando desordens metabólicas, tais como as situações clínicas citadas acima.
Para ter uma ideia, um estudo pioneiro em reportar a relação entre a composição da microbiota intestinal e mudanças na composição corporal, conduzido em ratos, verificou que ratos criados convencionalmente tinham 42% mais gordura corporal em comparação aos criados livre de germes (sob condições controladas), mesmo que estes tivessem uma ingestão alimentar menor. Posteriormente, quando os ratos livres de germes eram colonizados com a microbiota dos convencionais, estes tiveram um aumento de 60% na gordura corporal.
Em decorrência desses achados, muitos estudos vêm sendo conduzidos para entender melhor estes mecanismos, saber quais são as espécies de bactérias mais patogênicas relacionadas a essas alterações e, de que maneira podemos modular nossa alimentação a fim de prevenir, reverter ou melhorar esses efeitos causados pelo desequilíbrio da microbiota intestinal.
Antes de citar qualquer novo achado, a receita de bolo tradicional continua: manter uma alimentação variada, equilibrada entre as quantidades dos macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) e com aporte adequado de vitaminas, minerais e especialmente de fibras alimentares.

Referências:
Backhed, F. et al. The gut microbiota as an environmental factor that regulates fat storage. Proc Natl Acad Sci USA. 2004; 101 (44): 15718-23.
Cani, PD. et al. Metabolic endotoxemia initiates obesity and insulin resistance. Diabetes. 2007: 1761-72.
Cani, PD. et al. Changes in gut microbiota control metabolic endotoxemia-induced inflammation in high-fat diet-induced obesity and diabetes in mice. Diabetes. 2008. 57(6): 1470-81.
Zoetendal, EG. et al. Molecular ecological analysis of the gastrointestinal microbiota: a review. J. Nutr. 2004 (134): 465-72.

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Raíssa Antunes

Sobre Raíssa Antunes

Sou nutricionista formada na Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Especialista em nutrição aplicada às doenças renais pela UNIFESP e atualmente cursando mestrado na mesma área. Tenho interesse especialmente em assuntos que relacionam alimentação ao estilo de vida.

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