Gorduras saturadas, gorduras insaturadas, ômega-3 e ômega-6

16 de fevereiro de 2013
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Nosso organismo acumula as gorduras como forma de armazenar energia. Uma pessoa adulta que não está nem acima nem abaixo do peso tem cerca de 10 a 20% de gordura corporal. Para um adulto de 70 quilos, isso significa uma média de 10 quilos de gordura no tecido adiposo distribuído pelo corpo. Isso corresponde a 90 mil quilocalorias, o suficiente para manter o gasto calórico da pessoa por cerca de 1 mês.

O nome químico do tipo de gordura mais comum é triacilglicerol (também conhecido como triglicerídeo ou triglicéride), que significa que ela é composta de três moléculas de ácido graxo ligadas a uma molécula de glicerol. Esses ácidos graxos podem variar de tamanho e de estrutura, o que nos permite classificá-los.

Os ácidos graxos são compostos de uma cadeia central de átomos de carbono, vários átomos de hidrogênio ligados ao longo dessa cadeia e um grupo carboxila em uma das extremidades (figura 1). Uma das classificações mais usadas para os ácidos graxos é relativa à quantidade de átomos de hidrogênio da molécula.

Se a molécula tem o máximo possível de átomos de hidrogênio ligados à ela, o ácido graxo é chamado de saturado. É daí que vem o termo gordura saturada. Essa característica faz com que a gordura fique sólida em temperatura ambiente. Um exemplo de ácido graxo saturado é o ácido láurico (figura 1), muito comum no óleo de coco.

 

Por outro lado, se a molécula de ácido graxo tem uma dupla ligação entre dois átomos de carbono, isso significa que existem átomos de hidrogênio faltando, ou seja, a molécula não está totalmente saturada de hidrogênio. Nesse caso, a gordura é chamada de gordura insaturada. Isso faz com que a gordura permaneça líquida em temperatura ambiente.

Quando existem apenas uma dupla ligação entre carbonos no ácido graxo, ele é dito monoinsaturado. Quando existem mais de uma dupla ligação, ele é dito poli-insaturado. Um exemplo de ácido graxo saturado é o ácido linoleico (figura 2 – cuja primeira dupla ligação fica no carbono 6, por isso o nome ômega-6), muito comum no óleo de milho, óleo de soja e óleo de girassol.

 

Há décadas que estudos científicos indicam que as gorduras saturadas são as principais responsáveis pelo aumento do colesterol ruim (LDL colesterol) no nosso organismo. Entretanto, estudos mais recentes mostram que o metabolismo das gorduras é muito variável e que algumas gorduras saturadas aumentam o colesterol bom (HDL colesterol), como é o caso do ácido láurico, enquanto outras aumentam o colesterol ruim, como é o caso do ácido palmítico.

Por outro lado, diversos estudos mostram que o consumo de gorduras insaturadas estão relacionadas com melhora do perfil de colesterol. Tem-se sugerido que a dieta do mediterrâneo é saudável principalmente por ser rica no ácido graxo ácido oleico, abundante no óleo de oliva. Além disso, nosso organismo não consegue produzir ácidos graxos com duplas ligações antes do carbono 9 (contado da esquerda para a direita, na figura 2). Nesses casos, essas gorduras são chamadas de ácidos graxos essenciais.

Referência: Lowery, L. Fat. In: Campbell, BI and Spano, MA, editors. NSCA’s Guide to Sport and Exercise Nutrition. Champaing, IL: Human Kinetics, 2011. p. 49-70.

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Eduardo Bellotto

Sobre Eduardo Bellotto

Sou Médico Nefrologista formado na Universidade Federal de São Paulo e tenho muito interesse em estudar, entender e compartilhar conhecimento sobre os principais problemas que afetam as pessoas nos dias atuais, particularmente aqueles relacionados ao estilo de vida contemporâneo, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

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