Emagrecer rapidamente

14 de setembro de 2012
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mulher se pesandoEmagrecer rápido é um dos desejos mais comuns das pessoas acima do peso. Porque ficar sofrendo muito tempo se podemos fazer uma dieta radical e perder peso rápido?

Pois bem, o que a maioria das pessoas não sabe é que perder peso rapidamente pode fazer com que a pessoa desenvolva uma resistência para perder peso, ou seja, faz com que fique mais difícil perder peso. O objetivo desse post é explicar como essa resistência pode ocorrer.

Conforme explicado no post sobre balanço energético, quando uma pessoa com peso normal perde 1 kg de peso lentamente, ela perde uma proporção de massa magra e de tecido adiposo (gordura) semelhante à proporção que ocorre quando ela ganha peso, ou seja, cerca de 1/3 de massa magra e 2/3 de tecido adiposo. Já uma pessoa obesa tende a ganhar e perder uma proporção maior de tecido adiposo em cada quilo de peso que ganha ou que perde (quando emagrece lentamente).

Entretanto,ao emagrecer rápido, a proporção de perda de massa magra é maior, podendo chegar até 50% do peso perdido. Isso ocorre porque, quando a oferta calórica é muito baixa, o corpo quebra proteínas musculares para produzir glicose para o cérebro, já que a glicose é o único macronutriente que o cérebro usa para obter energia.

O resultado disso é que a pessoa começa a perder peso rápido, mas acaba com um percentual de gordura corporal maior do que tinha antes de perder peso. Isso significa que o gasto energético de cada quilo de peso corporal diminui, pois a proporção de gordura é maior (já que cada quilo de massa magra gasta mais energia para manter o metabolismo das célula do que cada quilo de tecido adiposo).

Com isso, essa pessoa que começou a emagrecer rapidamente gasta menos energia por quilo de peso do que outra pessoa que emagreceu lentamente, ou seja, essa pessoa começa a desenvolver resistência para perder peso, pois seu organismo economiza energia. Essa situação faz com que a pessoa tenha grande chance de ganhar peso novamente, até mesmo mais do que ela tinha inicialmente.

Nas últimas décadas tem-se investigado os mecanismos fisiológicos que controlam a homeostase (equilíbrio) do peso do organismo. Esses mecanismos envolvem a ativação de várias regiões do cérebro, bem como a liberação de diversos hormônios.

Sabe-se que este mecanismo não foi preparado para um ambiente farto de alimentos com alto conteúdo calórico e sem atividade física. Desta forma, as pessoas estão vulneráveis para se tornarem obesas do ponto de vista biológico ou comportamental.

Uma pessoa pode se tornar obesa sem que haja mudanças profundas no padrão alimentar, pois basta um pequeno e inconsciente aumento na ingestão habitual de alimentos. Por um lado, para a maioria das pessoas é muito fácil ganhar peso. Por outro, é difícil perder peso.

Esse pode ser mecanismo fisiológico que propiciou a evolução da espécie humana, sobrevivendo durante longos períodos de carência de alimentos nos últimos milhões de anos. Ao passar por um período de grande escassez (importante restrição alimentar), o organismo perde mais massa magra e reduz mais o gasto energético de cada quilo de peso corporal restante.

Além disso, estudos em animais e em humanos mostram que a privação de alimentos é um forte impulso para a perda do controle da ingestão de alimentos, levando o indivíduo a ter episódios de compulsão alimentar e comer mais do que seu gasto energético, com o objetivo de compensar a perda. Não é à toa que não somente a perda de peso como a manutenção do peso ao longo dos anos passou a ser entendida como uma consequência do esforço voluntário de restringir a ingestão calórica. Essa crença é uma das possíveis causas do estigma social da obesidade.

Por fim, é importante que as pessoa que querem perder peso procurem um nutricionista que avalie toda a complexidade envolvida na escolha dos alimentos, levando em consideração as preferências dessa pessoa, seus hábitos culturais, a região que a pessoa vive e a época do ano que a dieta foi prescrita (com sua consequente disponibilidade e sazonalidade de alimentos), os fatores sociais (comer fora de casa, refeições em família), econômicos (custo dos alimentos), religiosos (algumas religiões impõem restrições alimentares), psicológicos (como a necessidade de comer doces, por exemplo), fisiológicos (hábito de fazer exercícios) e patológicos (problemas de saúde, como diabetes e intolerância ao glúten).

Referência: Adami, GF. Feeding Behavior and Body Mass Index. In: Preedy VR et al., editor. Handbook of behavior, food and nutrition. New York: Springer, 2011. p. 891-910.

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Eduardo Bellotto

Sobre Eduardo Bellotto

Sou Médico Nefrologista formado na Universidade Federal de São Paulo e tenho muito interesse em estudar, entender e compartilhar conhecimento sobre os principais problemas que afetam as pessoas nos dias atuais, particularmente aqueles relacionados ao estilo de vida contemporâneo, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

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