Cultura da imagem

10 de outubro de 2012
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Modelos desfilandoNas últimas décadas houve mudanças no padrão de beleza da nossa sociedade. As modelos das passarelas de moda são cada vez mais jovens, magras, com seios pequenos e quadris estreitos, chegando a lembrar um corpo infantilizado. Em geral têm pele, olhos e cabelos claros, seguindo o padrão europeu. Esse padrão compete por espaço na mídia com mulheres com corpos musculosos e torneados por longas horas de musculação.

Tanto o padrão das modelos como o das mulheres com corpo atlético se tornaram símbolos de beleza, fazendo com que muitas pessoas gastem tempo e recursos com medicamentos, cirurgias estéticas ou academia, única e exclusivamente com o objetivo de se encaixarem nesse padrão estético imposto pela mídia.

No caso dos homens, tipicamente os modelos são musculosos e quase sem nenhum tecido subcutâneo, de forma que o contorno de seus músculos seja aparente. É o que se chama de musculatura definida, estigmatizada pela famosa “barriga de tanquinho”. Esses modelos de beleza são amplamente relacionados aos conceitos de felicidade, sucesso, dinheiro, amor e poder.

Tanto o modelo de beleza feminino como o masculino são muito difíceis de serem alcançados pela grande maioria das pessoas. Podemos considerar que esse padrão de beleza não é saudável, não é natural e muito menos realista. Isso faz com que as pessoas se sintam feias, não atraentes e com baixa autoestima, particularmente as pessoas obesas, que sofrem de um estigma social da obesidade. Na adolescência esses sentimentos causam um turbilhão de emoções e podem estar relacionados com o aumento da incidência de transtornos alimentares, como a anorexia nervosa e a bulimia nervosa. No caso dos homens, é mais comum ocorrer um problema que tem sido chamado de vigorexia, overtraining ou excesso de treinamento, no qual o indivíduo se submete a uma rotina de treinamento tão intensa, que não há tempo para a musculatura se recuperar adequadamente.

Porém, nesse cenário tão turbulento, existe alguma luz no fim do túnel. Há alguns anos a empresa Dove fez uma interessante campanha, usando mulheres “normais” como modelos. Essa campanha foi baseada em uma pesquisa com 3000 mulheres em diferentes países, que mostrou que somente 2% das mulheres se acham bonitas. Essa campanha teve uma boa aceitação pelo público. Isso pode indicar que existe abertura para que novos padrões de beleza mais naturais e autênticos ganhem espaço na mídia, acompanhando um lento e árduo processo de amadurecimento da sociedade, relacionado com a aceitação da diversidade.

Referência: Adami, GF. Feeding Behavior and Body Mass Index. In: Preedy VR et al., editor. Handbook of behavior, food and nutrition. New York: Springer, 2011. p. 891-910.

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Eduardo Bellotto

Sobre Eduardo Bellotto

Sou Médico Nefrologista formado na Universidade Federal de São Paulo e tenho muito interesse em estudar, entender e compartilhar conhecimento sobre os principais problemas que afetam as pessoas nos dias atuais, particularmente aqueles relacionados ao estilo de vida contemporâneo, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

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