Balanço energético

7 de setembro de 2012
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homem se pesandoEm uma sociedade na qual a maioria das pessoas são sedentárias, somente 20% do gasto energético diário é decorrente de atividades físicas, como andar e dirigir, por exemplo. Os outros 80% do gasto energético são usado para o funcionamento do organismo (respiração, digestão, batimento cardíaco, metabolismode substâncias pelo fígado etc.).

Quando nossa ingestão de energia é maior que o nosso gasto, nós aumentamos de peso. Quando é menor, nosso peso diminui. O fato importante é que basta um pequeno aumento da quantidade de energia ingerida diariamente para causar um considerável ganho de peso ao longo de alguns anos. Para entender como isso ocorre, devemos conhecer primeiro a composição de nosso corpo.

Uma pessoa com peso normal tem cerca de 1/4 a 1/3 do peso do corpo de gordura (normalmente as mulheres têm um percentual maior que os homens). O restante é de massa magra (músculos, órgãos internos, ossos, pele etc.). Cada quilo de peso nosso gasta energia. Porém, o gasto energético de um quilo de massa magra é de 40 kcal/dia (quilocalorias ao dia) enquanto que o do tecido adiposo (gordura) é de apenas 5 kcal/dia.

Quando uma pessoa com peso normal engorda um quilo, cerca de 1/3 desse peso é de massa magra e 2/3 é de tecido adiposo. Dessa forma, esse peso a mais gera uma aumento no gasto energético diário de mais ou menos 16 kcal/dia: (1/3 x 40) + (2/3 x 5) = 16. Dessa forma, o aumento de um quilo de peso causa um consequente aumento do gasto energético, pois esse quilo de tecido gasta energia para manter as células vivas.

Vamos supor que uma pessoa com peso normal que gaste 2000 kcal/dia comece a ingerir 100 kcal/dia a mais todos os dias (ou seja, 2100 kcal/dia) e não altere sua atividade física. Essa pessoa irá ganhar cerca de 6 quilos até estabilizar o peso. O motivo disso é que, se cada quilo gasta cerca de 16 kcal/dia, 6 quilos gastarão cerca de 100 kcal/dia (100 / 17 = 6), que é a quantidade a mais de energia que esta pessoa está ingerindo. Dessa forma, quando ela ganhar os 6 quilos ela passará a gastar 2100 kcal/dia e estabilizará seu peso.

Esse ganho irá ocorrer ao longo de vários meses, já que cada quilo de peso ganho tem cerca de 7000 kcal acumuladas. Além disso, na medida que o peso aumenta, a diferença entre o que se come e o que se gasta (essas 100 kcal/dia) diminui progressivamente e a velocidade de ganho de peso vai diminuindo progressivamente. Além disso, algumas pessoas gastam mais energia com o metabolismo, pois produzem mais calor (termogênese) em um tipo específico de gordura chamado de tecido adiposo marrom.

Um fato interessante é que, quando um indivíduo que já é obeso engorda mais, menos de 1/3 desse peso é de massa magra e mais de 2/3 é de gordura. Dessa forma, cada quilo a mais gera uma aumento no gasto energético diário de menos de 16 kcal/dia, já que o tecido adiposo gasta menos energia que a massa magra. Ou seja, quanto mais gorda a pessoa é, mais peso ela ganha para compensar a diferença entre a ingestão calórica e o gasto energético. Em outras palavras, um determinado aumento na ingestão diária de calorias pode causar um maior ganho de peso (até atingir o equilíbrio) em um indivíduo já obeso do que em um indivíduo com peso normal.

Da mesma forma que ocorre quando engordamos, quando emagrecemos lentamente nós perdemos tanto massa magra quanto gordura, em uma proporção semelhante à que engordamos. Por exemplo, se uma pessoa com peso normal perder peso lentamente sem alterar as atividades físicas, cerca de 1/3 desse peso é de massa magra e 2/3 é de gordura.

Entretanto, se uma pessoa perder peso rapidamente, a proporção de perda de massa magra será maior e isso pode causar resistência para que ela continue perdendo peso, além de poder desencadear padrões alimentares relacionados à obesidade e hábitos alimentares não saudáveis, como episódios de compulsão alimentar.

Referência: Adami, GF. Feeding Behavior and Body Mass Index. In: Preedy VR et al., editor. Handbook of behavior, food and nutrition. New York: Springer, 2011. p. 891-910.

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Eduardo Bellotto

Sobre Eduardo Bellotto

Sou Médico Nefrologista formado na Universidade Federal de São Paulo e tenho muito interesse em estudar, entender e compartilhar conhecimento sobre os principais problemas que afetam as pessoas nos dias atuais, particularmente aqueles relacionados ao estilo de vida contemporâneo, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

4 Responses to Balanço energético

  1. Rodrigo on 9 de setembro de 2012 at 21:19

    Olá Eduardo passei para conhecer seu blog ele é muito maneiro com excelente conteúdo gostaria de parabenizar pelo seu tabalho e desejar muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e de seus familiares
    Um grande abraço e tudo de bom

  2. Eduardo Bellotto
    Eduardo Bellotto on 9 de setembro de 2012 at 22:28

    Obrigado pelo incentivo Rodrigo!

  3. Jet brada libniwenzo on 14 de outubro de 2012 at 22:39

    Eu quero saber sobre o balanço energético todas definições e importância?

  4. Eduardo Bellotto
    Eduardo Bellotto on 15 de outubro de 2012 at 22:14

    Olá Jef.

    Uma boa definição de Balanço energético é a relação entre o consumo e o gasto de energia.

    Sua principal importância é avaliar se a pessoa está consumindo mais ou menos do que está gastando. Com isso, é possível adequar o consumo de alimentos de acordo com o gasto.

    Os profissionais de Nutrição avaliam o consumo energético por meio do inquérito alimentar, que é um questionário onde a pessoa informa tudo o que comeu em um determinado período de tempo.

    Já o gasto energético é avaliado normalmente por meio de fórmulas que levam em consideração o sexo, peso, altura, idade e as atividades físicas que a pessoa faz. Uma equação bem conhecida para esse objetivo é a equação de Harris-Benedict.

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