A importância das gorduras na atividade física

24 de março de 2013
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Sabe-se que, além do acúmulo de gordura no tecido adiposo, nosso corpo também armazena cerca de 300 gramas de gordura, na forma de gotículas de triacilglicerol (nome do tipo mais comum de gordura), dentro das células musculares. Essas gotículas também são usadas para fornecer energia durante a atividade física, da mesma forma que o glicogênio (que é um carboidrato). A principal diferença é que a reação de oxidação das gorduras é mais lenta.

A existência dessas gotículas de gordura dentro dos músculos levanta questionamentos sobre a função das gorduras alimentares na performance dos exercícios físicos, principalmente pelo fato de que os atletas têm maior capacidade de acumular essa gordura nos músculos do que pessoas sedentárias com a mesma quantidade de massa muscular.

De fato, estudos mostram que uma dieta extremamente pobre em gorduras diminui a performance nos exercícios, possivelmente devido à não recuperação desses estoques intramusculares de lipídios. Por outro lado, o consumo exagerado de gorduras está associado ao consumo de excesso de calorias e consequente aumento da quantidade de gordura do corpo, que é considerada um “peso morto” para os atletas.

Sugere-se que os atletas consumam cerca 20% a 40% das calorias da alimentação na forma de gorduras. A proporção sugerida é de cerca de 1/3 de gorduras saturadas, 1/3 monoinsaturadas e 1/3 poli-insaturadas.

Diferentemente dos carboidratos e das proteínas, não existem evidências científicas que indiquem que a variação na quantidade de gorduras ingeridas pelos atletas (dentro da faixa normal de consumo, citada acima), altere sua performance, tanto nos exercícios aeróbicos como nos anaeróbicos.

Por outro lado, existe alguma evidência de que a suplementação dietética de atletas com os ácidos graxos ômega-3 EPA (ácido eicosapentaenóico) e DHA (ácido docosa-hexaenoico), abundantes no óleo de peixe, possam ter efeitos efeitos positivos, devido aos seus efeitos anti-inflamatório e antidepressivo.

As membranas das células do nosso corpo são constituídas principalmente de lipídios (gorduras) e as células renovam continuamente os lipídios. Estudos com suplementação de óleo de peixe indicam que o tempo médio de permanência dos lipídios nas membranas varia de 10 a 18 semanas.

Acredita-se que a suplementação de EPA e DHA possa alterar a constituição lipídica das membranas celulares, substituindo parte do ácido graxo ácido aracdônico (que está envolvido em processos inflamatórios) das membranas por EPA e DHA. Isso explica o efeito anti-inflamatório da suplementação de EPA e DHA e possivelmente está relacionado com o efeito antidepressivo desses ácidos graxos. Diversos estudos tem sido conduzidos para confirmar esses benefícios e para compreender melhor esses mecanismos.

Outro suplemento que tem sido estudado é o ácido linoleico conjugado, que é uma combinação de isômeros (molóculas que a mesma fórmula molecular, mas com diferentes ligações entre seus átomos) do ácigo graxo ômega-6 ácido linoleico, que parece ter efeito anticatabólico (diminui a quebra natural das proteínas musculares) e ser auxiliar na perda de peso. Entretanto, a maior parte desses estudos ainda são feitos em animais e há necessidade de mais pesquisas em humanos para confirmar esses dados preliminares.

Referência: Lowery, L. Fat. In: Campbell, BI and Spano, MA, editors. NSCA’s Guide to Sport and Exercise Nutrition. Champaing, IL: Human Kinetics, 2011. p. 49-70.

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Eduardo Bellotto

Sobre Eduardo Bellotto

Sou Médico Nefrologista formado na Universidade Federal de São Paulo e tenho muito interesse em estudar, entender e compartilhar conhecimento sobre os principais problemas que afetam as pessoas nos dias atuais, particularmente aqueles relacionados ao estilo de vida contemporâneo, como a obesidade, o diabetes e a hipertensão.

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